A manifestação convocada por lideranças da direita para o próximo 1º de março, na avenida Paulista, em São Paulo, evidencia uma argumentação interna sobre o principal mote do ato: o impeachment dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes e Dias Toffoli; a anistia aos presos do 8 de janeiro e ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL); ou uma pauta mais ampla de críticas ao governo Lula (PT).
Organizado pelo movimento "NasRuas", o protesto tem a perspectiva de reunir governadores, parlamentares e influenciadores da ala conservadora. Enquanto parte dos políticos evita se posicionar nominalmente sobre abusos do STF, outro grupo defende que sejam feitas críticas explícitas a ministros da Corte, como ocorre com o movimento "Acorda Brasil", inspirado pelo deputado federal Nikolas Ferreiras (PL-MG).
Em São Paulo, o "Acorda Brasil" é liderado pelo influenciador e comentarista político Pedro Pôncio, ex-ocupante do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), que faz ações de engajamento na região do Masp (Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand) nos dias que antecedem o ato. Nos bastidores, a definição sobre o foco da manifestação reflete estratégias distintas dentro do campo conservador, em um cenário marcado pela pré-campanha para as eleições em 2026.
Organizador do ato na avenida Paulista questiona "caminhos do governo federal"
Vice-líder do governo Tarcísio de Freitas (Republicanos) no Legislativo estadual, Tomé Abduch (Republicanos) foi designado como porta-voz do "NasRuas" e afirmou à Gazeta do Povo que o movimento está à frente da organização do dia 1º de março. A mobilização começa às 14h e deve se encerrar às 17h, com um único caminhão elétrico na Paulista, o "Avassalador", o mesmo utilizado em atos anteriores.
Diferentemente de manifestações organizadas pelo pastor Silas Malafaia, o "NasRuas" centraliza a condução do evento e abrirá espaço para os políticos presentes discursarem. Entre os nomes confirmados, segundo Abduch, estão os governadores Romeu Zema (Novo-MG) e Ronaldo Caiado (PSD-GO), além do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) — os três são pré-candidatos à Presidência.
"A ideia é a gente se reunir para falar com bastante clareza sobre o momento do Brasil e os caminhos que o governo federal está tomando. Educação, saúde, a gastança do governo, o estouro de teto de gastos, CPMI do INSS, CPMI do Banco Master", elencou Abduch.
Em acréscimo, ele afirma que a anistia aos presos de 8 de janeiro e o PL da dosimetria estão na pauta. "E voltar a mobilizar as ruas para levar a todos o que está acontecendo com o Brasil, decisões que estão sendo tomadas e que estão em desacordo com a Constituição, como a interferência entre os poderes", complementou.
Embora parte das convocações nas redes sociais tenha destacado palavras de ordem contra ministros do STF, o "NasRuas" evita colocar esse ponto como eixo central da mobilização. Nos bastidores, integrantes do movimento consideram que uma pauta concentrada em ministros da Corte poderia ter efeitos políticos indesejados, fortalecendo narrativas adversárias.
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